A crise convulsiva é uma manifestação neurológica causada por atividade elétrica anormal e excessiva no cérebro . Durante uma crise, a pessoa pode apresentar contrações musculares involuntárias, perda de consciência, queda ao chão e salivação intensa . O episódio costuma durar de alguns segundos a poucos minutos e requer cuidados imediatos de quem está por perto.
De acordo com a Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), é fundamental diferenciar crise convulsiva de epilepsia: nem toda convulsão indica epilepsia, e nem toda epilepsia se manifesta com convulsões . A crise convulsiva pode ser um evento isolado provocado por causas temporárias, como febre alta, hipoglicemia ou intoxicação, enquanto a epilepsia é uma condição crônica com crises recorrentes.
Neste guia do blog da Preço Popular, você vai encontrar informações sobre os tipos de crises convulsivas, as principais causas, como prestar primeiros socorros corretamente, o que não fazer durante uma crise e quando procurar atendimento médico. Acompanhe!
Índice
- Tipos de crises convulsivas
- O que causa uma crise convulsiva?
- Como reconhecer uma crise convulsiva?
- Primeiros socorros durante uma crise convulsiva
- Quando chamar o SAMU (192)?
- Como é feito o diagnóstico das causas das crises convulsivas?
- Tratamento das crises convulsivas
- Cuide da sua saúde com a Farmácia Preço Popular!
- Perguntas frequentes sobre crise convulsiva
Tipos de crises convulsivas
As crises convulsivas podem se manifestar de diferentes formas, variando conforme a região do cérebro afetada pela atividade elétrica anormal.
- Crise tônico-clônica generalizada : é o tipo mais conhecido, frequentemente chamado de “ataque epiléptico”. A pessoa perde a consciência, cai, apresenta rigidez muscular (fase tônica) seguida de contrações rítmicas (fase clônica), podendo ocorrer salivação, mordedura da língua e perda do controle dos esfíncteres. Geralmente dura de um a três minutos;
- Crise tônica : caracterizada pelo enrijecimento muscular generalizado, sem a fase de contrações rítmicas. A pessoa pode cair e permanecer com o corpo rígido por alguns segundos. É mais comum durante o sono;
- Crise clônica : apresenta contrações musculares rítmicas e repetitivas, sem a fase inicial de rigidez. Pode afetar todo o corpo ou partes específicas;
- Crise atônica : há perda súbita do tônus muscular, fazendo com que a pessoa desabe ao chão sem contrações. É uma crise breve, mas perigosa pelo risco de quedas e traumatismos;
- Crise de ausência : a pessoa apresenta “”desligamentos”” breves, com olhar fixo e perda de contato com o ambiente por alguns segundos. Não há convulsões visíveis. É mais comum em crianças em idade escolar e frequentemente passa despercebida;
- Crise focal com comprometimento motor : a atividade elétrica anormal se origina em uma região específica do cérebro e provoca movimentos involuntários em uma parte do corpo, como um braço ou uma perna. A pessoa pode ou não perder a consciência.
O que causa uma crise convulsiva?
As causas das crises convulsivas são variadas e podem ser divididas em causas agudas (provocadas por fatores temporários) e causas crônicas (associadas a condições neurológicas).
Causas agudas
- Febre alta (convulsão febril) : é a causa mais comum de convulsão em crianças de seis meses a cinco anos de idade. A elevação rápida da temperatura corporal desencadeia a crise;
- Hipoglicemia : a queda acentuada da glicose no sangue pode causar convulsões, especialmente em pessoas com diabetes;
- Desidratação e desequilíbrios eletrolíticos : a queda nos níveis de sódio, cálcio ou magnésio pode afetar a atividade elétrica cerebral;
- Intoxicação : álcool, drogas ilícitas e alguns medicamentos podem provocar crises convulsivas;
- Abstinência de álcool ou benzodiazepínicos : a interrupção abrupta em pessoas dependentes é uma causa conhecida de convulsões;
- Traumatismo craniano : pancadas fortes na cabeça podem desencadear convulsões imediatas ou tardias;
- Infecções do sistema nervoso : meningite e encefalite são causas graves de convulsão que exigem tratamento de emergência.
Convulsão febril em crianças
A convulsão febril é o tipo de crise convulsiva mais comum na infância, afetando de 2% a 5% das crianças entre seis meses e cinco anos de idade , segundo o Manual MSD .
Ela ocorre associada à elevação rápida da temperatura corporal , geralmente acima de 38°C, e costuma ser breve (menos de cinco minutos). Na maioria dos casos, a convulsão febril é simples e não causa danos ao desenvolvimento neurológico da criança.
Os pais devem saber que:
- a convulsão febril não significa que a criança tem epilepsia;
- o mais importante é baixar a febre com antitérmicos (paracetamol ou dipirona, conforme orientação pediátrica) e manter a criança hidratada;
- durante a crise, os mesmos cuidados de primeiros socorros se aplicam: proteger de lesões, posicionar de lado e não colocar nada na boca;
- após a crise, levar a criança ao pediatra ou pronto-socorro para avaliação.
Causas crônicas
- Epilepsia : é a principal causa de crises convulsivas recorrentes, afetando cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS ;
- Acidente vascular cerebral (AVC) : pode causar lesões cerebrais que geram focos de atividade elétrica anormal;
- Tumores cerebrais : o crescimento tumoral pode irritar o tecido cerebral e provocar crises;
- Malformações cerebrais congênitas : alterações na formação do cérebro durante a gestação podem se manifestar com convulsões;
- Doenças neurodegenerativas : condições como Alzheimer podem estar associadas a crises em estágios avançados.
Como reconhecer uma crise convulsiva?
Reconhecer rapidamente que alguém está tendo uma crise convulsiva permite agir de forma adequada. Os sinais mais comuns incluem:
- perda súbita de consciência , com ou sem queda;
- rigidez muscular generalizada seguida de contrações rítmicas ;
- movimentos involuntários e descontrolados dos membros ;
- salivação intensa (espuma na boca);
- mordedura da língua ou da parte interna das bochechas ;
- respiração irregular ou pausa respiratória temporária ;
- perda do controle dos esfíncteres (urinário ou fecal);
- olhos revirados ou desvio do olhar ;
- coloração azulada da pele ao redor dos lábios (cianose), causada pela dificuldade respiratória temporária.
Após a crise, é normal que a pessoa apresente confusão mental, sonolência, dor muscular e não se lembre do que aconteceu. Essa fase é chamada de período pós-ictal e pode durar de alguns minutos a horas.
Primeiros socorros durante uma crise convulsiva
Saber como agir durante uma crise convulsiva pode evitar lesões e proteger a pessoa. As orientações do Ministério da Saúde e do SAMU (192) incluem as seguintes medidas:
- mantenha a calma — a maioria das crises convulsivas é autolimitada e termina espontaneamente em poucos minutos;
- proteja a pessoa de se machucar — afaste objetos pontiagudos, móveis ou outros itens que possam causar ferimentos durante as contrações;
- deite a pessoa no chão, se possível — um piso plano e seguro previne quedas e lesões adicionais;
- coloque a pessoa de lado (posição lateral de segurança) — essa posição evita que a pessoa se engasgue com saliva ou vômito;
- apoie a cabeça — coloque algo macio sob a cabeça (uma peça de roupa dobrada, por exemplo) para proteger de impactos no chão;
- afrouxe roupas apertada — desabotoe colarinhos, gravatas ou cintos que possam dificultar a respiração;
- cronometre a duração da cris — essa informação é importante para a equipe médica;
- permaneça ao lado da pessoa após a crise — acompanhe até que ela recupere completamente a consciência.
Além dessas orientações, há algumas ações que devem ser evitadas:
- não coloque nada na boca da pessoa — não introduza dedos, colheres, carteiras ou qualquer objeto. A pessoa não engole a própria língua, e colocar objetos na boca pode causar ferimentos graves, quebrar dentes ou provocar engasgamento;
- não tente segurar ou conter os movimentos — as contrações musculares são involuntárias e tentar impedi-las pode causar fraturas ou luxações;
- não jogue água no rosto nem tente acordar a pessoa — ela está inconsciente e não pode ser “”despertada”” durante a crise;
- não faça respiração boca a boca durante a crise — a respiração costuma se normalizar espontaneamente após o término das contrações;
- não ofereça água ou alimentos imediatamente após a crise — espere que a pessoa esteja completamente consciente e alerta.
Quando chamar o SAMU (192)?
Algumas situações durante ou após uma crise convulsiva exigem atendimento médico de emergência. Ligue para o SAMU (192) nos seguintes casos:
- a crise dura mais de cinco minutos (estado de mal epiléptico), o que configura uma emergência neurológica;
- a pessoa tem uma segunda crise logo após a primeira, sem recuperar a consciência;
- é a primeira crise convulsiva da pessoa e a causa é desconhecida;
- a pessoa não recupera a consciência após 10 minutos do término da crise;
- houve lesão durante a queda, como ferimento na cabeça ou sangramento;
- a crise ocorreu na água (piscina, banheira, mar);
- a pessoa é gestante, tem diabetes ou doenças cardíacas;
- a pessoa tem dificuldade persistente para respirar após a crise.
Na dúvida, ligue para o SAMU . É preferível acionar o serviço de emergência desnecessariamente a deixar de chamar quando a situação é grave.
Como é feito o diagnóstico das causas das crises convulsivas?
Após uma crise convulsiva, o neurologista conduz uma investigação para identificar a causa e determinar se há risco de recorrência. Os principais exames incluem:
- eletroencefalograma (EEG) — registra a atividade elétrica cerebral e pode identificar padrões anormais que indicam propensão a crises;
- ressonância magnética (RM) do crânio — identifica lesões estruturais como tumores, malformações, cicatrizes de AVC ou outras alterações que possam ser o foco da atividade epiléptica;
- exames de sangue — avaliam glicemia, eletrólitos (sódio, cálcio, magnésio), função hepática, função renal e marcadores infecciosos para descartar causas metabólicas;
- tomografia computadorizada — pode ser realizada na emergência quando a RM não está disponível de imediato;
- punção lombar — indicada quando há suspeita de infecção do sistema nervoso central (meningite, encefalite).
O diagnóstico de epilepsia é feito quando há duas ou mais crises epilépticas não provocadas, separadas por pelo menos 24 horas. Uma única crise, mesmo que convulsiva, não necessariamente configura epilepsia.
Tratamento das crises convulsivas
O tratamento das crises convulsivas depende da causa e da frequência das crises. A conduta é sempre definida pelo neurologista.
Tratamento da causa aguda
Quando a crise tem causa identificável e temporária (febre, hipoglicemia, intoxicação), o tratamento foca na correção da causa. Nesses casos, medicamentos anticonvulsivantes de uso contínuo geralmente não são necessários.
Tratamento com anticonvulsivantes
Quando as crises são recorrentes e configuram epilepsia, o neurologista prescreve medicamentos anticonvulsivantes de uso contínuo . Os mais utilizados incluem carbamazepina, ácido valproico, lamotrigina, levetiracetam e fenitoína.
Esses medicamentos exigem receita médica especial e acompanhamento regular . A dose é individualizada, e o neurologista monitora a eficácia e os possíveis efeitos colaterais por meio de consultas e exames periódicos. Nunca suspenda ou altere a dose de anticonvulsivantes sem orientação médica.
Estilo de vida e prevenção
Além da medicação, alguns cuidados no dia a dia ajudam a reduzir o risco de crises:
- manter o sono regular, com sete a nove horas por noite, já que a privação de sono é um gatilho frequente;
- evitar o consumo excessivo de álcool, que reduz o limiar convulsivo;
- controlar o estresse com atividades como exercícios físicos regulares, meditação e acompanhamento psicológico;
- manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes. Frutas nutritivas e suplementos alimentares podem complementar a dieta, com orientação profissional;
- vitaminas e suplementos como magnésio e vitaminas do complexo B apoiam a saúde neurológica, sempre com orientação médica;
- tomar a medicação anticonvulsivante rigorosamente no horário prescrito;
- informar familiares, colegas e professores sobre a condição e sobre como agir em caso de crise.
Cuide da sua saúde com a Farmácia Preço Popular!
A crise convulsiva é uma situação que exige conhecimento e preparo de quem está por perto. Saber o que fazer e, principalmente, o que não fazer durante uma crise pode evitar lesões e proteger a pessoa até a chegada do atendimento médico.
A Farmácia Preço Popular está ao seu lado para cuidar da sua saúde e bem-estar , com orientação farmacêutica e produtos com preços acessíveis. Converse com a equipe sobre qualquer dúvida relacionada à saúde ou medicamentos!
Perguntas frequentes sobre crise convulsiva
Quanto tempo dura uma crise convulsiva?
A maioria das crises tônico-clônicas generalizadas dura de um a três minutos . Se a crise ultrapassar cinco minutos, configura-se o estado de mal epiléptico, uma emergência neurológica que exige atendimento imediato pelo SAMU (192).
Quem teve uma convulsão pode ter outra?
Sim, especialmente se a causa não for tratada. O risco de recorrência varia de acordo com o diagnóstico e deve ser avaliado por um médico.
O que a pessoa sente antes de uma crise convulsiva?
Algumas pessoas podem apresentar sinais prévios, chamados de aura, como s ensação de déjà vu, cheiro estranho, tontura ou alteração visual . No entanto, nem todas as crises têm aviso prévio.
Crise convulsiva tem cura?
Depende da causa . Quando a crise é provocada por fatores temporários, como febre ou hipoglicemia, ela pode não voltar a acontecer após o tratamento da causa. Já nos casos de epilepsia, o controle é feito com uso contínuo de medicamentos, e muitos pacientes conseguem ficar sem crises por longos períodos.



